Democracia Brasileira
A minha geração está acompanhando desde o nascimento, o desenvolvimento de uma democracia no Brasil. Considerando os anos negros da ditadura como um divisor de águas, temos a concepção da democracia na Constituição de 1988 e seu nascimento com a eleição de Fernando Collor em 1989.
Como ocorre com todo bebê, as primeiras palavras são aguardadas com muita expectativa. O nosso rebento primeiro falou Mamãe, depois Papai, em seguida “Num quelo” (os padrinhos mimaram demais essa criança). Sobrou para o Collor, pois quem manda é a Democracia. Vieram os primeiros passos no governo Itamar e nossa criança entrou para a escolinha de mãos dadas com o intelectual Fernando Henrique Cardoso.
Passaram-se os anos, a criança começa a desenvolver uma certa consciência, mas ainda tropeça um pouco, de tempos em tempos. Ora, é uma criança ainda, nada aquém do normal. Após o segundo mandato de FHC, uma transição muito tranqüila para o governo de Luís Inácio Lula da Silva. A nossa democracia, a despeito de ser ainda muito jovem e imatura, mostrava-se bem educada e seguindo o caminho do bem.
Agora, temos uma nova eleição. Nossa criança, que aliás não gosta mais de ser chamada de criança (é uma pré- adolescente), demonstra aquilo que demonstram todas as crianças nessa fase: rebeldia, questionamento, enfim, elas acreditam poder tudo. É uma situação difícil de administrar, famílias viram de ponta cabeça, parentes dão os mais diversos conselhos. Estamos exatamente nessa fase e a família dessa pré-adolescente somos todos nós brasileiros.
Então, não é de estranhar que os votos que iriam inicialmente para Heloísa Helena, uma radical da esquerda acabem migrando para o Geraldo Alckmin, um moderado de Centro. Da mesma forma, a “Pimentinha” perde votos por falar uma enormidade de besteiras e Lula que não fica nenhum pouco atrás no quesito “falar sem pensar” não é nenhum pouco afetado. Reações de adolescente, só isso.
Estamos vivendo portanto, caros amigos, mais um dos estágios do amadurecimento e consolidação da democracia em nossa Nação. No período de uma ou duas eleições poderemos notar comportamentos diferentes desse nosso bebezão, de nome Democracia e sobrenome Brasileira.







